Monday, May 9, 2011

     Respiro fundo e começo a me movimentar, levantando os pés do solo úmido e encharcado, prestes a agir quando de repente sou tomada por uma leve onda de calma, um impulso tranquilo que só pode ter um significado, que apenas uma pessoa pode provocar em mim. Uma calma tão oposta ao formigamento e ao calor provocado por Damen que não fico nem um pouco surpresa quando me viro e encontro Jude a meu lado.
 - Sabe até onde isso leva, certo? – Ele aponta para a ponte que balança, esforçando-se para manter a voz áspera, clara, mas o tremor de nervoso o entrega.
- Sei até onde leva as outras pessoas. – Dou de ombros, olhando para ele e para a ponte. – Mas não sei aonde pode me levar.

      Ele estreita os olhos, inclina a cabeça e me observa com calma e atenção dizendo com cuidado:
- Leva ao outro lado. Vale para todos. Não há filas separadas. Segregação de nenhum tipo. Deixe esse tipo de julgamento para o plano terreno.
     Encolho os ombros, nem um pouco convencida. Ele não sabe o que eu sei. Não viu o que eu vi. Como poderia saber o que se aplica ou não a mim?
- Mesmo assim – ele diz, ouvindo meus pensamentos em alto e bom som. – Não acho que seja hora de considerar a travessia. A vida já é curta demais, sabe? Mesmo nos dias em que parece muito, muito longa. Quando tudo acabar, será apenas um piscar de olhos, um lampejo para a eternidade, pode acreditar.


- Chama negra (Alyson Noël)

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