Saturday, December 24, 2011

Havia uma garota naquele parque. Um parque aonde quase ninguém ia. Algumas crianças brincavam por perto, mas não perto dela. Estava sozinha em um canto; comecei a observá-la mais. Seria apenas minha impressão, ou seus olhos – cansados – estavam brilhando como se tivesse acabado de chorar? Havia um certo vazio, uma certa tristeza neles.
Alguns fios de seu cabelo se movimentavam, acompanhando o vento frio. Ela parecia não se importar. Aliás, frio era o que menos a incomodava agora. Ela se encolheu um pouquinho, e continuava presa em pensamentos. Pensamentos que pareciam que a assustavam. O que ela tanto pensava que a deixava incomodada? E por que as lágrimas voltaram?
Eu queria poder abraçá-la, poder dizer algo que a deixasse melhor. Ela precisava disso.
De repente ela piscou. De repente, eu pisquei. Não estava mais no parque.
Nunca tinha ido lá.
Na verdade, eu nem tinha saído da frente do espelho ainda.
Ei moço, você sabe que horas são? Acho que me perdi. Talvez tenha deixado passar tempo demais; ou o meu ônibus só esteja atrasado. Sabe moço, aquele ônibus que leva para Felicidade.Faz tempo que não pego um ônibus que me levasse a tal destino. Ou talvez ele só esteja esperando o momento certo de passar por aqui, me levar e me deixar pra sempre lá. Na tal da Felicidade. Você conhece, moço? Ou você se perdeu no tempo também? Tão bom seria se as coisas acontecessem quando quiséssemos, né? Ou não; porque aí, teríamos tudo facilmente, e seria um saco. Mas, ei, você já pegou o ônibus? Aquele que lhe falei; você sabe se é seguro? Garantido? Estou meio cansada de esperar, sabe? Esperando, o tempo passa. Passa tão rápido que não sei se já passou ou não. Ei moço, você sabe que horas são?