Saturday, August 27, 2011

Era a primeira vez em meses que me acordava disposta; e estava querendo sair logo cedo, só para sentir o arzinho gelado da manhã.
Andando pelas ruas, tão presa em pensamentos, nem notei que estava na frente
daquele Café.
Aquele que me trazia tantas lembranças,
tanta saudade. Aquele que por meses havia parado de frequentar.
Tão boba, decidi entrar. Me sentei na nossa mesa. Aquela mesa, lembra? Aquela do fundo, onde sempre podíamos rir quando algum casal bizarro aparecia por ali pedindo um capuccino, e ninguém iria perceber que ríamos daquilo. Coloquei minha bolsa do lado, que estava meio aberta. Lembro-me que você sempre dizia
''Um dia você ainda vai perder algo por ai, por nunca fechar essa bolsa, menina!''. Mal sabia que o que eu perderia nem estava dentro da bolsa. Aquele moço que nos atendia, veio me atender. Acredita nisso? Depois de tanto tempo, ele ainda trabalhava aqui! Pedi o de sempre; você se lembra do que pedíamos? Torradinhas, um cafezinho, duas fatias de torta de morango e chocolate quente; lembra? Mas pedi apenas a torta e o chocolate quente. Foi estranho comer ali, sozinha.
Engraçado, durante meses me desviei de tudo que pudesse me lembrar você, e agora estava aqui. No Café que íamos todos os dias.
Varrendo os olhos por ali, tentando me distrair, notei que um casal de velhinhos estava sentado à minha frente. A risada dele contagiava, e ela parecia bem feliz também. Oh,
o amor. Eles me notaram. Pude perceber.
Enquanto tomava meu chocolate quente, meus ouvidos estavam alertas. Ela sussurrou para ele, com seus olhos na mesa, claro,
''O que ela tem, meu bem? Parece tão distraída, cansada...''E para a minha surpresa, aquele senhor respondeu: O que ela tem, querida, é saudade. Muita saudade.