Thursday, February 24, 2011


Estava em um metrô, concentrada lendo um livro que acabara de comprar, quando um vento gelado entra pela porta - que foi aberta para a entrada de novos passageiros. Estremeço. Tenho a sensação de que alguém passou ao meu lado, mas continuo com os olhos em meu livro. Então, essa sensação volta e eu finalmente olho ao meu redor. Me deparo com um garoto à minha frente, sorrindo para mim. Ele era bem branco, devia ter por volta de 1.75 m, seus olhos eram verdes, seu cabelo bagunçado e preto ficava perfeito nele. O garoto, então, abriu a boca e disse:
- Você poderia me ajudar?
Porém, parecia que não era exatamente aquilo que ele queria ter dito. Antes de responder, pude perceber que apesar do sorriso que tinha em seu rosto, levava nos olhos uma expressão vazia.
- Sim. No quê? – eu respondi.
- Bom, preciso procurar uma nova estação.

Ajudei ele dando informações, ele anotou em uma folha azul-celeste. Ele escrevia de um modo que parecia estar com pressa, porém, apesar disso, sua caligrafia era perfeita. Ele terminou de escrever e me olhou. Olhou mesmo. Fundo em meus olhos. Parecia que ele podia ver através de mim. Parecia que ele podia me enxergar. Seu olhar não estava vazio, agora. Deu para perceber que ele me olhava com todo amor possivel e impossivel. Em seu olhar continha tristeza e... saudade? Senti que o conhecia de algum lugar. Mas, no minuto em que notei isso, ele deu as costas para mim. Não podia ficar ali, sentada, o vendo ir embora. Então levantei e fui atrás dele.
- Ei! – disse, tocando em seu ombro e fazendo-o virar para mim – Te conheço de algum lugar. É estranho. Parece que te conheço há muito tempo. Eu só não lembro da onde, nem quando. Eu...
- Precisamos sair daqui. – ele me cortou -  Agora. Ou vai acontecer outra vez.

Eu não entendi, como assim? Outra vez? Quando dei por mim, estava sendo levada para fora do metrô. E então tudo aconteceu muito rápido... O metrô saiu fora de seu trilho e bateu contra colunas. Eu soube. Eu iria morrer ali, se não tivesse saido. Mas, como ele soube? Então, olhei ao meu redor, e estava sozinha. Ele não estava ali. Onde tinha ido? Como fui deixar isso passar assim, despercebido? Eu tinha que encontrá-lo. Notei que havia uma folha azul-celeste no chão. A mesma folha em que ele supostamente tinha anotado informações sobre a próxima estação. Desamassei a folha e li o que estava escrito.
‘’Desculpe-me por ser desse jeito, mas eu tinha pouco tempo. Precisava lhe dizer o que não conseguia há muito tempo, em todas as vezes que tentava. Sempre que estava a ponto de dizer tudo, acontecia o pior. Agora que sei que você saberá, vou poder descansar em paz. Você me ensinou o que é ser feliz, você me ensinou o que é amar. Você mostrou o meu melhor lado. Obrigado por tudo. Talvez isso não vá valer nada, mas, eu te amo.
    Seu para sempre, haja o que houver,
                        amor.’’



Meu coração está despedaçado.
Está mesmo. Todos os sinais estão aí. Não consigo dormir, não consigo comer.. Toda vez que o telefone toca, meu coração dispara.. mas nunca é para mim. Nunca é ele. Sei que a culpa é toda minha. Fui eu quem estragou tudo. Mas isso não torna as coisas menos piores. Se a ferida foi feita por mim mesma ou não, ela está lá do mesmo jeito. E a verdade é que os seres humanos não funcionam direito de coração partido. Tipo assim, claro que dá para viver sem o David. Mas que tipo de vida seria essa? Tipo uma vida vazia. Tipo assim, o amor me apresentou uma oportunidade perfeita, e eu estraguei tudo. Apesar de os meus olhos estarem abertos, eu não estava enxergando. Foi por isso. Eu não estava enxergando absolutamente nada.

- A garota americana. (Meg Cabot)